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‘Ironmãe’: Atleta divide rotina entre treinos e o cuidado dos filhos: ‘Tem que se organizar’

Disputar um Ironman por si só já é um enorme feito. A prova é dividida em 3,8 km de natação, 180,2 km de ciclismo e finaliza com mais 42,2 km de corrida. A preparação para conseguir cruzar a linha de chegada é árdua. Agora, imagine treinar as três modalidades conciliando com o cuidado dos filhos. Para a carioca Ticiane Amâncio, de 35 anos, missão dada é missão cumprida, como já dizia o bordão. Há 12 anos morando na Bahia com o marido, que também é do Rio de Janeiro e veio a trabalho, a mãe da menina Ione, de 9 anos, e do garoto Numa, de 7 anos, se desdobra em cinco “modalidades” para baixar seu tempo na grande prova do triathlon. Ela também é estudante do sexto semestre de Nutrição.   “É difícil, não é fácil, mas a gente consegue. Quando a gente quer, tem tempo para tudo. Tem que se organizar. Eu treino, estudo, tenho marido, casa, os filhos… A gente tem que dar um jeitinho. E eles gostam de me ver treinando, competindo, vão me assistir. São minhas melhores torcidas. Eles viajam comigo para me acompanhar”, falou. “E já são atletas também. Minha filha nada, o menino também e ele ainda surfa, anda de skate, compete… Está no sangue!”, completou orgulhosa a mãe dos pequenos baianos.   Assim como nas transições de modalidades nas provas de Ironman, a rotina de Ticiane é bem dividida e organizada. O turno da manhã, que começa às 3h30 da madrugada, é dedicada aos treinos de ciclismo e corrida. “Eu treino com Fábio Cuba. Ele é muito bom, já foi da seleção brasileira. Às terças e quintas a gente tem o treino presencial. Como eu moro em Lauro de Freitas, preciso acordar 3h30 da manhã e sair de casa às 4h para estar no Loteamento Aquárius para treinar com o pessoal, porque a base é ali. Aí a gente sai, pedala na [avenida] Magalhães Neto, faz a transição e corre”, contou. Transição é a mudança de uma modalidade para outra durante a prova de triathlon e de Ironman. “Mas dependendo da planilha, eu acordo normalmente às 4h da manhã para treinar. Antes de me machucar eu estava com um volume de 160 km de bicicleta, corria 20 e poucos quilômetros. Estava com um volume muito grande, eram várias horas de treino”, explicou a mãe triatleta que se recupera de uma lesão no quadril há um mês. Foto: Arquivo Pessoal   O turno vespertino é dedicado à natação e aos filhos. “Às vezes meu marido leva e eu busco. Para mim é mais fácil buscar. Fico com eles no período da tarde, depois que chego da natação. Eles estudam em horário integral, chegam 16h e pouco, aí fico com eles”, disse.   Para Ticiane, o apoio dos filhos e sentimento por eles servem de combustível para levantar da cama ainda de madrugada. “O sentimento de ser mãe é simplesmente o maior deles. O maior amor do mundo!”, declarou. Inclusive nas disputas das provas de Ironman. “Quando vejo as crianças lá, me dá forças de querer chegar logo, de querer abraçar, beijar… É muito bom!”, afirmou.   FILHOS ATLETAS A vida esportiva da mãe contagia Ione e Numa. A pequena dupla já se aventura nos esportes. Os dois praticam natação na escola, participando inclusive de campeonatos como foi a infância da mãe. Numa também pratica skate e surf. “Três vezes na semana ele vai andar de skate e surf. E ele já evoluiu muito! Uma vez ele fez uma prova de surf e ficou no segundo lugar. Ele chegou: “Mamãe, eu fiquei no segundo lugar!”. Ganhou um troféu, ficou feliz da vida”, destacou Ticiane.   Enquanto Ione já participa de provas de triathlon destinadas às crianças, organizadas pela Federação Baiana de Triathlon (Febatri). “Uma vez teve uma prova do X-Terra e eu falei: “Ione faz força, tem que ficar com o coração na boca”. Ela chegou quase desmaiando, aí eu falei: “Ai meu Deus do céu!” (risos). Querendo chegar em primeiro, aí falei: ‘Olha filha, é bom ganhar, mas o importante é competir, participar'”, lembrou. “As provas de triathlon infantis são muito lúdicas, não tem um percurso longo. Inclusive vai ter uma agora dia 19 de maio. Vou mandar os dois”, destacou.   Numa e Ione no Triathlon Kids | Foto: Arquivo Pessoal   Atleta desde a infância e triatleta na fase adulta, Ticiane se orgulha ao falar que os filhos estão seguindo o mesmo caminho do esporte. “Acho que quando a gente insere uma criança no esporte desde cedo elas se afastam de muita coisa ruim. Só tem benefícios. Cria disciplina, foco, determinação, superação”, comentou.   INÍCIO NO IRONMAN A história de Ticiane no triathlon e no Ironman não é de muito tempo. Nadadora da infância até a adolescência, ela parou de nadar aos 15 anos de idade, depois que sua treinadora trocou de clube. Mas antes disso, era atleta federada no Rio de Janeiro e disputava vários campeonatos, inclusive nacionais. Porém, mesmo deixando as piscinas, nunca parou de praticar esportes, inclusive começou a correr quando veio para a Bahia, participando até de Meia-Maratona e Maratona.   Porém, de tanto ouvir seu amigo e personal trainer da academia, Eduardo Filho, falar de Ironman, que havia se inscrevido, despertou a curiosidade nela. “Parece que muda sua vida completamente. Ele só falava de Ironman. Aí eu falei: ‘Nossa, quero experimentar para ver como é que é fazer esse Ironman’. Porque eu sabia nadar, já corria, então só faltava bicicleta. Aí eu fiz a inscrição, comprei uma bicicleta e comecei a treinar! Comprei a planilha de treino e passei a treinar para o Iron. Isso foi em 2014. Aí em 2015 fiz o primeiro Ironman Full. Aí a vida muda completamente, né? (risos). Na verdade, o esporte é tudo de bom!”, disse com sorriso no rosto. “É gratificante você fazer uma prova dessa. Não tem preço”, completou.   Foto: Arquivo Pessoal   Entrar no triathlon foi apenas uma ponte para disputar o Ironman. Ela participou de torneios organizados pela Febatri buscando melhorar na modalidade. Ticiane disputou seu primeiro Ironman Full, a prova completa em 2015. A partir daí enfileirou mais duas disputas em 2016 e 2017. “No primeiro Iron, eu não pensei em tempo. Pensei em curtir cada minuto da prova. Eu pedi uma dica para um atleta que tinha feito 19 Irons, aí ele falou: “Curte cada minuto da prova”. E foi isso que fiz. Deixei o tempo para lá e fui curtir. Fechei a prova em 12 horas e 3 minutos. Aí no ano seguinte, eu falei: “Não, agora eu quero baixar meu tempo”. E fiz em 10 horas e 51 minutos. Aí no ano seguinte, em 2017, eu falei: “Agora quero vaga para Kona”. Só que infelizmente não deu, eu fiz em 10 horas e 26 minutos. Melhorei 30 minutos, que já é bastante tempo. Aí esse ano, eu tinha o objetivo de diminuir mais, mas… Mas acho que tudo tem um por quê. Nada é por acaso. Agora, tenho que recuperar e voltar 100% para representar a Bahia com tudo”, falou. Seu melhor tempo também foi sua melhor colocação, quando terminou na sétima.   Mas ao ser perguntada sobre a sensação de completar o primeiro Ironman… “Nossa (suspirou e deu uma pausa). Indescritível… É maravilhoso, quando está 2 km antes da chegada, passa um filme na sua cabeça. Tudo o que você passou para chegar até ali, que não é fácil. Justamente por ser mãe, por ter vida de mãe, de atleta, de dona de casa, estudante… Não tem preço”, disse. “Eu passando na corrida e eles me vendo, eu chorava de emoção. É demais mesmo”, completou. Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

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