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Times tradicionais no futebol feminino reclamam de chegada dos ‘ricos’

Vice-campeão em 2018, quando tinha uma parceria com uma associação de futebol feminino da cidade, o Rio Preto Esporte Clube desistiu de disputar o Campeonato Brasileiro este ano. Alegou que não tinha condições de arcar com os custos financeiros para formar um elenco competitivo. Um dos motivos citados pela diretoria do time são os salários solicitados pelas atletas, que aumentaram consideravelmente após a inclusão das equipes da elite do futebol masculino. Porém, apenas 15% dos times têm todas as atletas do elenco com carteira assinada. “Os custos para a disputa estão altamente pesados. O mercado, com a entrada de grandes clubes na disputa, está inflacionado. Os salários solicitados por atletas medianas é superior aos pagos ao masculino [disputa a Série A3 do Paulista, equivalente à Terceira Divisão]. Teríamos grandes despesas com alojamentos, alimentação, transporte, hospedagem, entre outros, fatos que analisados na ponta do lápis nos fizeram rever nossas posições”, disse o Rio Preto através de nota. Contudo, apesar da entrada de clubes da elite masculina no Brasileiro da modalidade, a disparidade de valores entre as diferentes equipes de uma mesma instituição ainda é muito grande. No Corinthians que foi campeão brasileiro feminino no ano passado, um dos clubes com maior investimento no feminino, a folha salarial da equipe gira em torno de R$ 170 mil por mês, com as atletas ganhando, em média, R$ 7 mil. No time treinado por Fábio Carille, a folha mensal do elenco é de cerca de R$ 10 milhões. A reclamação do clube de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, é compartilhada por outras agremiações. “A nossa realidade é bem diferente do Sul e Sudeste. Não temos apoio financeiro e está difícil fazer bons times com a chegada das equipes de camisa, que aliciam nossas atletas com salários maiores. Não sei se essa situação para o futuro será boa para o futebol brasileiro porque os clubes que revelam as atletas vão ficar desestimulados”, disse Paulo Roberto Arruda, presidente do Vitória de Santo Antão, cidade localizada a cerca de 50 quilômetros de Pernambuco. O clube está na Série A do Brasileiro feminino e tem parceria com o Santa Cruz. Outro motivo citado como preocupante é o pequeno número de jogadoras para atender todas as equipes. “Se os dirigentes entenderem que o futebol feminino é interessante, a tendência é esses times diminuírem. Eu vejo isso porque não temos material humano para 52 equipes. Com 36 equipes na Série B, vamos ver resultados de décadas passadas, como 10 a 0, 15 a 0”, disse Emily Lima, técnica do Santos e que já comandou a seleção brasileira. Na Série B do torneio, que começa no próximo dia 27, o Aliança, atual campeão goiano, também demonstra preocupação. “Na minha opinião, os times sem camisa [equipes que não tem futebol masculino] vão acabar. Somos um time 100% amador, trabalhamos com meninas desde os dez anos e é tudo de graça para a comunidade. Os times de camisa têm dinheiro e vão se reforçar demais. Eles vão poder contratar e dar uma boa estrutura de alojamento, enquanto a nossa tendência é sumir”, disse Luiz Cézar, treinador e presidente do time. Já Foz Cataratas e Kindermann, campeões da extinta Copa do Brasil em 2011 e 2015, respectivamente, dizem que o segredo para se manter na ativa é trabalhar com os pés no chão e continuar revelando atletas para a modalidade. “Vamos continuar mantendo os pés no chão e buscando revelar atletas. Hoje, existem muitos clubes que possuem maiores condições de tirar nossas jogadoras. Porém, sai uma , buscamos outra no mercado. Somos um clube revelador e vamos continuar fazendo esse trabalho. É a solução”, disse Gesi Damasceno, presidente do Foz Cataratas, parceiro do Athletico-PR, que é responsável pelo licenciamento. Com a desistência do Rio Preto, campeão brasileiro em 2015 e segundo colocado no ranking feminino, o Internacional ganhou o direito de disputar a primeira divisão do Brasileiro feminino. No ano passado, o clube gaúcho ficou em terceiro lugar na Série B. O outro beneficiado foi o Vasco, que herdou a vaga do time colorado e disputará a segunda divisão. A princípio, os cariocas ficariam fora do torneio porque ocupavam o 14º lugar no ranking masculino. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) utilizou o ranking para incluir os times mais ricos do país, que estavam fora da primeira divisão, na Série B. Os outros times da elite do masculino que disputarão a segunda divisão são Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras e São Paulo. O Bahia também está no torneio após fazer parceria com o Lusaca, que já havia disputado o campeonato em 2018 assim como o Grêmio. A criação das equipes femininas para esta temporada foi uma das exigências da CBF e da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). A entidade sul-americana exige que todos os clubes que disputem seus torneios tenham um time adulto e de base femininos, enquanto o Manual de Licenciamento de Clubes da CBF é mais brando. Este solicita apenas que as agremiações da Série A do Nacional tenham um time feminino, adulto ou de base, e que disputem um torneio nacional ou estadual neste ano. O Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), também prevê “apoio mínimo” à modalidade.

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