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Após adeus, Montillo supera lesões e dá volta por cima na Argentina

“Fiz tudo para tentar voltar e ajudar, não consegui. A genética e o meu físico não me deixam fazer o que eu mais gosto…” A frase dita por Walter Montillo, em 29 de junho de 2017, foi seguida por uma inevitável pausa. O jogador desabou em lágrimas. Ao fundo da sala de entrevistas do estádio Nilton Santos, a esposa Melina Ianazzo e os filhos Valentín e Santino acompanhavam cabisbaixos o que parecia um fim melancólico para a carreira. “Esse foi o último soco que tomei, não vou alimentar uma morte lenta”, desabafou. Dono de um currículo com convocações para seleção argentina e passagens de sucesso por Universidad de Chile e pelo Cruzeiro, o argentino escolhia jogar a toalha após cinco lesões consecutivas no Botafogo. Estava cansado. “Foi uma decisão egoísta. A minha família me convenceu o contrário”, disse à reportagem. Recomeçar, porém, não seria tarefa fácil. “Walter está de volta. Podemos conversar?”. “Ele não encerrou a carreira?” “Sim, mas decidiu voltar.” “Desculpe-me, não temos interesse, obrigado.” A resposta ouvida à exaustão pelo empresário Sérgio Irigoitia em ligações com representantes de clubes jamais desanimou o jogador. Ele tinha uma obsessão, queria voltar a jogar o melhor futebol. “Eu queria uma chance. Decidi que não poderia me despedir do futebol assim”, contou. No modesto Tigre, clube que jamais conquistou um título na primeira divisão argentina, provou que todos, inclusive ele mesmo, estavam errados sobre o fim precoce da carreira. Montillo ressurgiu de vez em 10 de agosto de 2018, pouco mais de 400 dias após a despedida, como o principal garçom do futebol argentino, são sete passes que resultaram em gols. Hoje, não sofre mais com as lesões que o perseguiam. A volta foi um processo lento. Após rejeições, recebeu uma ligação do então técnico do Tigre, Christian Ledesma. Seis meses depois do desligamento do Botafogo, o atleta acertou com o clube argentino. Pronto para o recomeço veio o baque. Próximo de completar 34 anos, Montillo rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito, em janeiro, durante um amistoso de pré-temporada. “Fiquei triste na hora, mas ali estava certo de me recuperar e voltar, e graças a Deus deu certo.” A volta de Montillo da contusão e também a melhor forma passou pelas mãos de uma parceria de sucesso, dessa vez não mais em campo, mas fora dele, com o fisioterapeuta Maxi Levo. “Ele é o principal responsável por estar aqui hoje. Diria até que 100% responsável. Ele me abraçou, precisava de alguém que fizesse algo a mais por mim e se comprometeu comigo, elaborou um planejamento”. O jogador retornou aos gramados em agosto e marcou o primeiro gol no fim de novembro, na derrota para o Defensa y Justicia pelo Argentino. Hoje próximo dos 35, Montillo tem sido fundamental para a arrancada do Tigre das últimas posições para fugir da zona de rebaixamento. No último mês, protagonizou a melhor atuação, na vitória por 2 a 0 diante do Rosario Central quando deu duas assistências para gols, realizou jogadas plásticas e quase marcou por cobertura de fora da área. A tentativa parou no travessão. Com contrato até 30 de junho, as propostas voltaram. “Ninguém acreditava, agora todo mundo aparece. Sei como é o futebol e eu me abraço sempre na minha família. Sou muito grato ao Tigre”, disse. Montillo realizou 122 jogos em pouco mais de dois anos pelo Cruzeiro, entre junho de 2010 e 2012, e 51 pelo Santos só em 2013. “Pode ser que não tenha conseguido me recuperar direito de lesões, mas são possibilidades. Pode ser, o importante é que estou bem”. A família que o convenceu a voltar é a mesma que hoje o faz não almejar voos já não tão altos na carreira. Antes da despedida, o jogador fez questão de elogiar publicamente a esposa pelos cuidados com os filhos. Na volta ao país. Montillo intensificou a proximidade e a luta por eles. Uma das batalhas foi para encontrar escola para o filho mais novo, que tem Síndrome de Down. “Tenho um filho com Síndrome de Down, não uma bomba nuclear”, disse por meio das redes sociais à época. A luta deu certo. Montillo já venceu os próprios fantasmas e fala em jogar “pelo menos mais dois anos”. Agora, quer aproveitar ainda mais a família e a carreira reconstruída.

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