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Longe dos olhos, perto da eleição.

Editorial

É a leitura que se faz. A simples e nua verdade. Se para alguns foi surpresa para outros era só uma questão de força. Força política. Força em torno de um novo (ou nem tão novo assim) projeto político para os próximos anos. Não houve quebra de braço, houve o fechamento de um quebra-cabeças que não é visto por todos, mas só pelos que dele vivem. A eleição do novo presidente da Câmara Municipal de Ilhéus pode ter pego muitos de surpresa, mas mostrou que no tabuleiro político, nem todas as peças estão em cima da mesa.

Na tarde de quarta-feira, última sessão na Câmara Municipal de Ilhéus este ano, foi escolhida a mesa diretora para o próximo biênio. O vereador César Porto (PDT) foi escolhido por 11 vereadores para comandar o Poder Legislativo, tendo ao seu lado Luiz Carlos (Escuta), como vice; Fabrício Nascimento, como 1º secretário e Juarez Barbosa como 2º secretário.

Não houve embate direto entre o novo presidente da Câmara e sim na escolha de quem seria o candidato apoiado pelo governo municipal para disputar a eleição. Durante meses, o vereador Jerbson Moraes se colocou como candidato e vinha em campanha. Já às vésperas da eleição, o nome de Paulo Carqueja, que também é do mesmo partido que Jerbson e que também vinha fazendo suas articulações, garantiu o aval do prefeito Mário Alexandre, que bateu o martelo há dias do pleito.

        Essa sinalização mudou tudo e o apoio não foi suficiente. Na verdade, o apoio não significou muita coisa e deixou claro que a formação da mesa diretora da Câmara sofre influência direta de outros objetivos, não só o de ter o poder de comandá-la. Também ficou claro que o atual alcaide sofreu mais uma importante derrota e pode sofrer com as consequências desse novo rumo. Um edil chateado e uma eminente necessidade de apoio para a aprovação de contas de um ex-gestor municipal teriam sido as peças chaves desse tabuleiro. Além de claro, a negociação em torno dos cargos da Câmara e caminhos mais abertos para as próximas eleições municipais.

Aliás, as eleições para presidente da Câmara de Ilhéus já vêm de um histórico marcado por acertos não-cumpridos, por negociatas que se iniciam na madrugada e mudam nas primeiras horas do dia e até pela reclusão de votantes, para evitar interferências externas e mudanças “repentinas” de escolha. Os bastidores revelam uma sentinela incansável em torno dos preciosos votos até a hora de seu depósito na urna. Porém, os que prestaram atenção nas eleições de 2020 não falharam. Já os que prestaram atenção na possibilidade de somente comandar a Câmara, vão precisar rever suas próximas estratégias.

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